A Suavidade do Extintor

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ausência > desculpa

ainda existe. a sério. tem-se desdobrado com este outro espaço, onde algumas das escolhas têm seguramente a sua relevância aqui, mas que por preguiça/disposição nunca me dignei a linkar. com alguma paciência encontrarão (espero) algo que vos faça sentido.
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tentarei ser mais contundente neste aspecto. tentarei também deixar aqui o mais breve possível uma lista daquilo que mais marcou 2009. se premente.
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um pedido de desculpas.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

marisco

mesmo que se trate de um dos momentos decentes em i am...sasha fierce, a tendência electro love r'n'b de "sweet dreams" seria inútil, não fosse servir para esta remix de major notes. em parte, o entusiasmo poderá dever-se àquele piano da "do you mind" de encontro à profusão fractal da voz da diva. "sweet dreams or a beautiful nighmare / either way i don't wanna wake from you". com espaço para uma certa icyness electro (casos mais contundentes na remix do O. B. para addictive ou na remix do fingaprint da "everybody") em afecto idm na linha de produções como a "stardust" (pós-"unfinished business")
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

capim

que não restem dúvidas de que a coerência de fuzzy logik ao longo de 2009 é prova viva de que o género pode assegurar a sua valência em formato álbum. volumes 1 do geeneus falhou muito pouco, e consta que o álbum do donaeo é óptimo*. serão, a par de this is the sound of uk funky (este, num equilíbrio entre originais/remix) os primeiros passos. não sendo, de todo uma necessidade, dada a evolução tranquila (e salutar), poderá conduzir a belos resultados (i.e. a profissionalização do grime) mesmo adoptando uma maior seriedade. temporalmente desfasado, isto será como achar intrigante o insucesso da "in the morning". ou adivinhar um mau resultado para "big boys" no top britânico. com a diferença de ser ainda mais especulativo do que esta última previsão. e por ora, menos relevante. fica a ideia**.
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*que ainda não ouvi, não só por preguiça, mas também por me achar incapaz de atravessar um álbum inteiro a ouvir "donaaaaaaaaeo".
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**em jeito de desculpa para relembrar como fuzzy logik merece todo o nosso carinho.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Há papoilas


Já não há feuds como antigamente. Impossível fugir ao alarmismo: a lyrical war ("guerra lírica" é uma expressão feia) entre o Mavado e o Vybz Kartel está a tornar-se perigosa. O risco de alienar o público é enorme e já vem de trás. A guerra entre o Bounty Killer e o Beenie Man ainda molda o dancehall moderno, dividindo-o. De repente, tudo gira em torno de díades: Alliance/Portmore, Gully/Gaza, Mavado/Vybz. Obviamente, uma rivalidade tão linear e demarcada turva mentalidades. Os dois deejays perderam a voz de alerta aos fãs, que se envolvem em sucessivas batalhas pela honra de quem prezam. Não há memória de feud semelhante. Bounty VS Beenie nunca pisou o risco, embora o tratado de paz que foi o Sting em '95 tenha sido apenas e só poeira para os olhos. Mesmo criando um ambiente bastante tenso na edição de '93, o Bounty escolhe as palavras certas quando, no final, descreve o soundclash como um «jogo» de «estilo», sem «controvérsia». É por isso que, agora, decide intervir para controlar os ânimos. Sabendo que uma guerra não se resolve por rodriguinhos, desafia os sucessores, não só a respeitar as regras - muitos dos incidentes que têm surgido na imprensa jamaicana envolvem a entourage dos dois artistas -, como a evitar a polarização radical da sua audiência. O que não o impede de combater, claro, com as devidas retaliações. Vejo dois cenários à vista: um novo Face to Face e a próxima edição do Sting com Mavado VS Bounty Killer VS Vybz Kartel.

sábado, 15 de agosto de 2009

lentes


quase em simultâneo, três das malhas com maior viabilidade comercial, tiveram direito a videoclips promocionais. como seria de esperar, os resultados estão longe de servirem os propósitos. supondo que estes passem por promover um objecto que se pretende bem sucedido. nada de novo, portanto. situação lamentável de um não esforço, principalmente quando se reconhecem alguns valores de produção e sabendo de antemão que o género nem sempre pauta pela sobriedade visual. tanto “go” como “daydreaming” falham em aproveitar as temáticas dos temas, para se limitarem a lugares-comum sem um fio condutor coerente. “go” ainda consegue melhores resultados, com toda aquela sequência óbvia na limousine a tentar trazer um pouco do sentimento de fuga do tema, mas nada disso chega quando a via é tão descaradamente displicente. “in the morning” teima em desaproveitar todas as pontecialidades de um setting madrugador, para se limitar à simulação de engate nocturno para a lente. e aqueles momentos com os gajos de smoking, só podem existir enquanto comic relief. e assim, entre planos interiores pseudo-cool e posturas irritantemente ascéticas, Londres vai desfilando uma mediania boçal.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

família

como portadoras do mesmo código genético (2 step), não deixa de ser algo natural que o crescente (com reservas) burburinho em torno da funky, leve nomes provenientes da bassline a experimentar as convenções do género. a expansão para caminhos cada vez mais diversificados, campo aberto à redefinição, torna-o terreno maleável para obreiros experimentados (também o grime se vai desembaraçando timidamente). prefiro pensar em oportuno em vez de oportunista. talvez refrear os ânimos depois do frenesim de batidas e vozes refractadas. encontrar a teresa em produções funky dos x5 dubs e ts7 é não largar o cordão umbilical enquanto se apalpa terreno. mesmo que não subsistam quaisquer tiques bassline em "i wish" e "end with goodnight".
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a primeira consegue carregar toda a tensão latente do passeio nocturno para o acto celebratório. como se os reflexos difusos da bola de espelhos se confundissem com entropia. recorrendo a um template de sintetizador tão contagiante quanto ameaçador, que se repercute em diversas camadas (de tonalidades claramente grimey*), deixa que a voz da teresa se afogue em eco, como se vinda de e para nenhures. até se transmutar num todo-nuvem alienante/alienado. paranóia urbana estilizada. do melhor modo possível.
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se “i wish” não pretende confundir-se com uma canção de pleno direito, já a remix de TS7 para “end with goodnight” mostra um cuidado e atenção especiais na escrita. na linha de algumas remisturas dos crazy cousinz (a delicadeza da “i see you” com um ritmo inescapável a “go”**), nunca se dá a acrobacias rítmicas, optando por um esqueleto estável que permita encadear subtilmente diversos momentos numa mesma estrutura “básica”, na tradição de fuzzy logik (poder-se-á traçar algum paralelismo com a “call me”), sem a multiplicidade melódica destes. aquele break para congas depois dos la la la para relançar o verso antes do refrão é já formulaico, mas qual a necessidade de abrandar subitamente a batida no segundo refrão se as virtudes residem na naturalidade de processos? apesar dos intrincados devaneios vocais da teresa manterem o interesse ao longo da música, acaba por faltar uma certa marca autoral que torne a torne em algo memorável. e não deixa de ser uma boa (às vezes óptima) canção.
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*produções do rapid circa 2004. a dado ponto faz-se ouvir o som característico de "onorthodox daughter" (exemplo clássico desse limbo entre alienação/hedonismo)
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**reciclagem da batida já clássica da "do you mind"
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

espaço(s)


recorrendo a uma simples linha melódica importada directamente de uma utopia futurista circa 1995 (orbus terrarum ou isdn), e alinhavando pequenos apontamentos percussivos (palmas, shakers, etc.) para lhes dar um corpo franzino com recurso a uma malha de baixo media-res orgânica, “spider” do wookie consegue subsistir de forma suficientemente digna sem nunca concretizar estas ideias, algo dispersas, em algo estruturalmente eficiente e/ou memorável. na senda de “messed” (mas com melhores resultados) ou (inexplicavelmente) “night”, deixa-se planar na sua própria rarefacção, para daí disparar nas diversas direcções sugeridas, sem nunca se definir. curiosidade carnavalesca (os assobios não mentem) cujos propósitos parecem nunca se revelar. por ora, chega-me essa confusão.
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“night time in july” do fingaprint, curiosamente, desenha na minha mente aquilo que o fábio apelidou de dubstep aquático. underwater dancehall do pinch poderia até mesmo ter sido isto, não fosse tão preso a militância dubstep. ecos dub e teclados líquidos em torno de uma linha de baixo, a simular relaxamento lounge. algo como “turbulence” para final de noite. no fundo, volatilidade nocturna de tonalidades estivais. basta atentar no título. é sucinto.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

amores de verão

contrariamente ao que tinha apontado aqui, “daydreaming” não se trata de uma produção dos crazy cousinz, mas sim de uma das suas metades (paleface). também cedo demais a releguei a mera versão diurna da “do you mind”. catarse vereneante feita de sentimentos nostálgicos, mas descaracterizada. sendo impossível escapar a comparações* e sem deixar de enverdar por essa mesma dicotomia (dia/noite), no entanto, "daydreaming" poderá ser facilmente interpretada como a sequela da melhor malha de 2008. entrando por caminhos ainda mais especulativos, gosto de pensar em "daydreaming" como o dia seguinte a "do you mind". O sábado esperançado (would you like to spend the night?) que dá origem à melancolia domingueira (daydreaming on a sunday afternoon).
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enquanto em "do you mind" a doçura da kyla disfarçava uma certa insegurança sob uma cortina, digamos, predatória como quem simula confiança (do you mind if i take you home tonight?), em "daydreaming" essa mesma voz deixa-se levar naquela apatia tão característica do domingo (daydreaming) sem nunca conseguir esconder o desespero (sun shining and i don`t know what to do). ambas cedem à tensão. essencialmente, "do you mind" alimentava-a com a esperança (if you play it right, you can be my guy) mesmo que subliminarmente esse medo se deixasse transparecer (stay another day entendido como um pedido). "daydreaming" entrega-se às memórias desse mesmo passado (you came to me, now i see the truth was make believe) como barreira à acção. o torpor. sonhar acordado (= lógico).
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construídas em torno de uma catchphrase enquanto premissa (the whole night e on a sunday), instrumental e estruturalmente, ambas parecem corrobar toda esta teoria, com "do you mind" a epitomizar toda essa paixão alienada de final de noite, enfatizada pelos ecos insistentes (enquanto resquício lounge), por oposição à melancolia solarenga que aparece no refrão da "daydreaming" e que a melodia de piano na ponte vem apenas confirmar enquanto tristeza.
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*na verdade, "daydreaming" parece falar sobre o amor enquanto algo inatingível, e não terá nada haver com a sua predecessora. no entanto, a mente (enquanto intérprete de sentimentos) leva às suas próprias contextualizações. gosto de pensar numa/na música como parte integrante da vida. logo, com história...i guess. o meu pedido de desculpas.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Touros


O Busy Signal ainda não esvaziou. Verdade seja dita: a criatividade tem limites e só se concretiza se houver oportunidade. Não há como fugir. Há-de chegar o dia em que tudo o que se fizer não será mais do que a reprodução de uma fórmula já pensada e executada. Por enquanto, brincar com Sérgio Mendes resulta e nunca se pensou que alarmes vibratórios pudessem ser tão úteis. Mas o Busy sabe que não é imortal, quando, depois desses devaneios, faz algo como "Dem Mad". Há tipos que investem em carreiras para alertar consciências - quantas vezes já se ouviu cantar teach di yuts dem? -, sendo sacrilégio fugir à lógica dos três acordes - vá, há excepções; outros também por lá passam mas só de passagem. Fazem-no para não sufocar o génio. Esta aposta na multiplicidade de registos é de valor. "Dem Mad" é um bombom já comido mas resulta precisamente porque não pretende marcar, não se quer eternizar. É só mais uma. Óptima, por sinal.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

esquecer brixton

dj one drop - kingston flavour

01. Danny Scrilla ft. Coldsteps - Rise&Shine (Special)
02. Danny Scrilla ft. Terry Lynn - Kingstonlogic (Special)
03. Busy Signal - Tic Toc (GreenMoney Remix)
04. Donaeo, Rubi Dan & Danny English - Party Harder (The Heatwave Refix)
05. Doctor - Funky Dancehall
06. Shystie - Pull It (Ill Blu Funky Remix)
07. Aggi Dukes - I’m On This Ting
08. Boy Better Know - Too Many Man
09. Sticky ft. Marvin Brown - Jack It Up
10. K.I.G - Bringing It Down
11. Rymez ft. Jusa - African Air Horn Dance
12. PatRizzla - Funky Medley (Jumeirah Riddim by Sticky)(Special)
13. Dirtee Drama - Somebody Move (Jumeirah Riddim by Sticky)
14. Danny Scrilla - Funky Optimus Prime (Special)
15. Crazy Cousinz - Inflation
16. Crazy Cousinz ft. Aidonia - Bounce
17. Smasher - The Weekend (Fugitive Riddim by Sticky)
18. Lady Chann - Yuh Eye Too Fast (Fugitive Riddim by Sticky)
19. Maxwell D - Txt Txt Txt (Fugitive Riddim by Sticky)
20. Swift Jay - Barefoot
21. T Boy - Don’t Jealous Me
22. Loco - Gallop
23. FootSteps ft. Vybz Kartel - Sweet To The Belly (Funky Remix)
24. Twizzle - Skydiving (GreenMoney "In Tha Sky" Remix)
25. DJ Mystery - Changes
26. Blackstar Productions - Slow Down

^^mix mais do que assertiva no que respeita à faceta dancehall do espectro da funky house. quem se resigna a aceitar o género (quando vocalizado) como uma mera reprodução gritty da sensualidade deep house (i.e. diva), tem aqui a prova em contrário.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nuvens de vento



O dubstep morreu. Já não existe. Não choca. Pelo andar da carruagem, a coisa optaria progressivamente por um de três caminhos:

- progredir numa lógica minimalista/ambiental, alinhando nos infindáveis projectos de senda dub no género (na verdade, isto é novidade?);

- entregar o coração aos sintetizadores e ao electro atrofiado, o que, obrigatoriamente, pede um novo nome (já tem: wonky) e puxa pelo cabedal de produtores recentes - Zomby, Rustie, Joker e Ikonika à cabeça;

- alinhar no jogo do funky house, dentro das suas convenções (limitações?), coisa que já pôs os olhos de Kode9 a reluzir - ouvi-lo agora faz-me pensar em "dubstep aquático".

Não houve consenso. A cada um foi concedida a liberdade de decisão. Quanto ao dubstep original, "Miracles" de Mala fecha o livro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

conte-os

com tantos tiros ao lado em soulfood vol. 4 e ultrasound, já para não falar dos falhanços monumentais do tinchy e do wiley, tem sido o badness a assegurar um saudável consistência em tudo aquilo que tem lançado (o flowdan tem também mantido a bitola alta, mas todos esperam ainda ouvir big dargz sobre a "chantes"). na tradição jamaicana que lhe é habitual, "sick wid it" com o frisco, segue a linha reggae soturno em toada mid-tempo na linha de "calm down" ou "run red" numa abordagem que já lhe é reconhecida, mas onde o patois se adequa de forma perfeita. mais surpreendente, "got what it takes" transporta o calor da soca através de um baixo a simular electro através de tensão wooble, descartando a presença de uma linha condutora assumidamente melódica pelo uso constante de samples etéreos/rasteiros na onda da alienação de "concrete streets" pela via da rarefacção da "messed". e com uma plenamente satisfatória prestação do j2k* a emular a coolness do skepta.
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*até agora sempre o tinha ignorado, mas a participação em algo bastante recomendável como "fully involved" ou "i know" tem-no revelado bem mais merecedor da minha atenção do que inicialmente poderia prever.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

homenagem

vai fazer falta. esperemos que o bichinho (expressão terminantemente irritante mas adequada) não se tenha desvanecido por completo e em breve ele regresse a este espaço, também. a pobreza tem-se instalado.
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deixo-lhe/vos esta. de 2008, mas ainda (e sempre) premente.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

o lugar e o saber

enquanto a pilhagem electro ainda luta por um lugar na ribalta, por via do descaramento "sunglasses at night", com "bonkers" a soar a desilusão por tudo o que poderia ter sido, seria esperada alguma atenção que recaísse sobre a "i know" do scorcher. não existe nada de especialmente louvável neste divertimento eficaz contrastante com a saturação dos sintetizadores e do sample insistente a enfatizar alguma tensão, mas quando a alternativa passa por aproximações à pseudo-euforia do dispensável big beat a emular hip-hop de "chip diddy chip"* (já para não falar de algo doloroso como a "number 1"), os resquícios grime subliminares dotam-na de uma dignidade gratificante.
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*como que a dissipar qualquer dúvida da viabilidade comercial de um chipmunk em (suposto) estado de graça. a preparar terreno para uma colaboração com artic monkeys ?
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

juicy box

n10-tainment ft. ruth - i pray
jalla - turbulence
perempay & dee - buss it
boy better know - too many man
trim - soulfood vol. 4
fuzzy logic ft. egyptian - in the morning
apple - chantes
pro2jay - skank calm down
spyro - rinse
roska - fact mix 23
scorcher ft. j2k & wiley - i know
sharky major - sharky`s back
gracious k - migraine skank
k.i.g. - head, shoulder, knees & toes
killa p - emergency room
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segunda-feira, 30 de março de 2009

pescoço e garganta

"turbulence" do jalla forma com a canção-gémea "buss it" por perempay & dee o par perfeito para incendiar a pista em formato funky. partlhando uma afinidade comum pelo lado mais potenciador de hype do género sem que isso implique um desvio para territórios mais confrontacionais, não deixa de descartar o sentimento romântico / cândido / sexual mais usual da cena ("burnin`" do lil silva anda próxima, mas é mais descaradamente grimey). a primeira filtra a toada lounge/dubby do sample central com um sintetizador irrequieto para desaguar numa melodia reminiscente de "township funk", amplificada pelo template de baixo em modo ascendente/descendente da house mais hipster. "buss it" é um banger absolutamente épico com os sintetizadores mais grandiosos desde "seasons" a epitomizarem uma ligeira fixação dancehall que lhe confere todo o calor que tendencialmente se poderia desvanecer no meio do turbilhão. o sample enfatiza o lado explosivo. se os habituais detratores (dubstep e quejandos) se ficarem pelos comumente aceites roska e apple o problema só poderá residir numa enorme falta de bom senso. e não, não quero conhecer essas pessoas.
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no capítulo das vocalizações "in the morning" de fuzzy logic é o melhor exemplo de uma verdadeira canção desde a clássica "do you mind" (ou talvez, "as i" do geeneus). o que poderia supor resultados comercialmente viáveis*. "daydream" dos mesmos crazy cousinz poderá estar próxima, mas ainda não a ouvi completa, pelo que uma opinião não será fidedigna. gosto do modo como a batida básica compete com as melodias midi/fruity loops por um som completamente ausente de reverb. impede a instrumentação requintada de absorver a prestação quente da egypt, sem com isso resvalar para uma flatness inócua. uma audição atenta compele a deliciosos pormenores, como a melodia etérea estranhamente devedora dos policiais tipicamente 80`s (vigília da noite et al) que aparece para o final.
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*"do you mind" merecia melhor sorte, mas tanto o pouco esforço investido no vídeo (apesar de valores de produção atípicos no género) como uma falta de timing tremenda para o lançamento oficial faziam antever o fracasso comercial.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

meditações

invocações new age levam-me a refrear os ânimos quando tendo a apelidar "i pray" de espiritual. não só porque se trata da melhor música que ouvi em 2009, como a toada soturna que acarreta é muito possivelmente fruto da minha imaginação. e espiritual é o pior termo de sempre.

escuridão e luz

com a narcotização excessiva do dubstep a levar à dormência da ressaca, não deixa de ser meritório o olho "oportunista" do kode 9 para se acercar do calor da funky house. mesmo que despido do seu lado mais celebratório e hedonista, não deixa de funcionar como um veículo para a credibilização cultural que o género demora a atingir. a apreensão* do tim finney não deixa de ser plenamente justificável, mas por ora tanto "bad" como "2 bad" servem os seus propósitos de forma suficientemente digna.

* It's the kind of approach to the genre which inevitably turns it into just another serious anti-populist form of post-jungle UK beat music. I don't want funky to be about twenty angry guys in a basement staring at the floor while they meditate on the bass weight.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

fôlego

a letargia consome, o espaço sofre com isso. deixam-se as melhores memórias do ano. nem em jeito de balanço, nem de compensação pelo silêncio. necessidades frívolas:

discos:

trim - soulfood vol. 3
v/a - gaza lords vol. 1 & 2
tinchy stryder - cloud 9 ep
roll deep - return of the big money sound
jme - famous
the bug - london zoo
killa p - killer instinct
fuda guy - head gone
slix - down vol. 2
riko - the truth

canções:

kyla - do you mind (crazy cousinz rmx)
jme - sun, sea & sand
mavado - so blessed
wiley - if you`re going out i`m going out too
rapid feat. tinchy stryder - stuck on my mind
dj mujava - township funk
trim - inside looking out
durrty goodz - concrete streets
tinchy stryder - sex in the city
serani feat. bugle - doh
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por ouvir: 2652, dusk & blackdown, jammer, geeneus, p money...outras

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ciência em trauma


OK, o Busy Signal passeia agora por chão forrado a ouro, céu pertíssimo da nuca. Loaded acrescenta nada para quem o conhece, serve apenas um propósito legítimo: projecção. De repente, milhares de olhos brilham perante uma descoberta que já respira há uns belos tempos. É natural que se pense:

«Ei, chegou a fase em que não mais o veremos em aventuras, antes estranhamente curvado num sofá confortável" ou "Duvido que, quando lhe perguntarem se continuará a surpreender, pisando constantemente a linha vermelha, ele faça mais do que fechar os olhos, apontar os indicadores para trás e dizer "Se é isso que queres, mantém-te na minha obra antiga, está lá tudo."»

Mas não. Basta avaliarmos a ida ao Westwood. Talvez resultasse melhor se houvesse uma caçadeira apontada ao Lloyd para acalmar os seus ânimos e tiques - não vou ser cruel ao ponto de dizer que não quero ouvir falar dele nos 200 anos que se seguem -, mas o que importa é que o Busy é mágico na prestação. Por razão divina, os atropelos e os erros que vai cometendo fortalecem o flow e dão uma cadência fabulosa às melodias. A espontaneidade que transmite é notável quando resolve entrar num jogo de moldagens, colando letras em diferentes riddims. Como se sabe, há um sem-número de artistas no dancehall que vestem a capa do talento sem merecê-la. Fecham-se no estúdio - a sua salvação - e, no momento de subir ao palco, muitas das fraquezas são postas a nu (não são poucas). Mas ele não (eis a honestidade em pessoa); mesmo que as tenha, passam por nós sem nos apercebermos, precisamente por mostrá-las sem pudor (eis a humildade em pessoa). E assim permanecerá.